Saiu na mídia: Policiais criticam as propostas
Dirigentes de associações de policiais fazem restrições às propostas de candidatos para a segurança pública
A segurança pública tem sido o principal alvo dos candidatos às eleições de 3 de outubro. Entidades que congregam profissionais trabalhadores da área criticam a forma como essa questão vem sendo discutida durante a campanha."Até agora, não vi nenhum candidato propor algo de consistente e inovador em relação à segurança pública. O que estamos vendo são propostas mal formuladas e que não apontam nenhuma solução para o problema", avalia o presidente da Associação de Cabos e Soldados Militares do Ceará, Flávio Sabino. Para Sabino, que é cabo da Polícia Militar (PM), "o atual Governo mostrou que segurança pública não se faz apenas com dinheiro. "Está relacionada a outros fatores. Não é algo pontual. Estamos preocupados com o bandido de hoje e não com o de amanhã. Crianças carentes que hoje têm dez anos serão os assaltantes daqui a quatro anos. E isso não vem sendo questionado pelos candidatos".
No seu entender, "se não for resolvido o problema social, evitando que os jovens entrem para a marginalidade, que se tornem "pedreiros" (vendem pedra de crack) da droga, o que se investir pode ser em vão".
Conforme Flávio Sabino, o efetivo da PM aumentou em quatro mil homens e não resolveu a questão. "O Ronda do Quarteirão é um programa brilhante, mas que apresenta três falhas que precisam ser corrigidas. A primeira é que a maioria dos policiais é de jovens sem experiência, apenas com formação teórica. Mesclá-los com veteranos seria o ideal", aponta.
O segundo ponto a ser corrigido, de acordo com o militar é a de construir uma base (posto) em cada bairro. "Com isso, a população teria acesso mais fácil aos policiais. Por último, os policiais deveriam ser escalados um dia sim e três não, em turnos de 12 horas seguidas".
Vocação
Outra ideia é a da realização de uma avaliação psicológica semanal, haja vista que os profissionais são submetidos diariamente a um grade estresse.
O presidente da Associação dos Subtenentes e Sargentos PM do Ceará (ABSS), Francisco Zélio Martins, acredita que um dos principais problemas é a falta de vocação para a atividade. "Muita gente entra para a Polícia sem estar vocacionado. É por isso que acontecem muitos desvios de conduta", diz.
Francisco Zélio defende o programa Ronda do Quarteirão e diz que ele é uma vitória da sociedade. "Temos apenas que fazer alguns reparos. Lamento que muitos candidatos estejam criticando sem conhecimento de causa. Aparecem propostas mirabolantes", afirma.
Diário do Nordeste - 29 de agosto de 2010

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