Três resgates em menos de sete minutos
O Corpo de Bombeiros mostrou como procede em situações de afogamento. Período de férias tem mais ocorrências. Mas número de profissionais precisa ser três vezes maior para a cobertura da Praia do Futuro melhorar. Soa o apito. De pronto, dois homens vestidos de vermelho entram no mar. Nas costas, levam boias. Há banhistas em situação de afogamento na Praia do Futuro.
Ao todo, são três. Dois saem puxados a nado. Porém, o outro corre risco de morte por ter ingerido grande quantidade de água. A delicadeza do caso requer que a remoção do corpo seja feita com o apoio de um jet ski.
Ele chega à areia desacordado. Imediatamente, recebe inalações de oxigênio e massagens cardiorrespiratórias. Depois de reanimado, é colocado numa prancha em formato de maca, imobilizado e levado para uma ambulância. De lá, segue para o hospital mais próximo.
Quem banhava, tomava sol ou jogava bola na barraca do Vila Galé, ontem, parou para ver a movimentação. Mas tudo não compunha o cenário de um simulado do Corpo de Bombeiros Militar (CBM). “Queremos mostrar que, no lazer, também podem acontecer acidentes e como procedemos nesse tipo de situação”, explicou o major do CBM, Cláudio Barreto.
Ele comandou a operação, programada para julho por conta da alta estação turística. É nesse período que a frequência nas praias aumenta. Consequentemente, as chances de afogamentos fatais também.
Diante de uma praia lotada de pais e filhos, um grupo de aproximadamente 50 homens fez a demonstração de salvamento. Bastaram seis minutos e 50 segundos para os três resgates acontecerem.
O tempo ficou bem abaixo do preconizado pelo CBM. Para cada vítima, estima-se três minutos. “E temos cumprido essa meta no dia a dia. Até porque qualquer minuto a mais pode complicar o quadro clínico da pessoa ou até valer a vida dela”, explica Barreto.
A movimentação dos homens de vermelho deixou muita gente de olho arregalado. “Eu nunca tinha visto isso de perto. Só na televisão. É muito interessante, mesmo sendo só simulação”, dizia o estudante universitário João Ferreira, 27.
De outros, arrancou aplausos. “O trabalho deles é muito lindo. É como dizem por aí. Eles são verdadeiros heróis”, comentou a costureira Maria Alice, 51.
E-MAIS
3 VEZES MENOS QUE O IDEAL
Do Serviluz ao Iguape, 100 homens atendem aos chamados de salvamento feitos ao 193. A tropa é insuficiente para dar conta de tantas ocorrências. Nesse ano, foram 374 resgates. Desses, três vítimas morreram.
Segundo o major Carlos Barreto, seriam necessários pelo menos mais 250 socorristas para que a faixa de praia recebesse uma cobertura linear.
Com os 350 bombeiros, pelo menos dois homens poderiam ser vistos a cada distância de 300 metros de areia. Hoje, há pontos que contam com cinco homens, enquanto outros têm apenas dois. A distribuição é feita de acordo com a constância de afogamentos.
Fonte: Jornal O Povo

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