Repercutiu: PMs são flagrados dormindo em viatura
Leia também o artigo que fala sobre o tema, no link Blog, do nosso site.
Pelo menos seis policiais do Ronda do Quarteirão estão respondendo a processo administrativo na PM por terem sido flagrados dormindo dentro das viaturas, durante o horário de serviço. Os casos foram descobertos por meio de sistema de videomonitoramento Domingo, 4h30min da madrugada. Uma Hilux do Ronda do Quarteirão está parada na rua Francisco Pita, no bairro Jardim da Oliveiras. Dentro do veículo, dois policiais militares dormem. Ainda faltam uma hora e meia para o fim do turno de trabalho e a cena, captada pelas câmeras instaladas na viatura, é vista, em tempo real, pelo comando da Polícia. Um oficial vai até o local e prende os dois soldados em flagrante.
A cena foi descrita em uma das portarias publicadas no boletim interno do Comando Geral da Polícia Militar do último dia 30, a que O POVO teve acesso. Além desse, há outros dois casos de PMs que dormiram dentro das viaturas e foram flagrados pelo sistema de videomonitoramento. Os flagrantes foram nos meses de julho e agosto deste ano. O Comando da PM abriu procedimento administrativo disciplinar (PAD) para apurar as ocorrências. Os soldados envolvidos podem ser demitidos da Polícia.
Em um dos casos, dois PMs foram flagrados dormindo dentro de uma viatura estacionada no pátio de um shopping de rua, no bairro Edson Queiroz, também de madrugada. O boletim do Comando Geral não informa o local onde estaria a viatura envolvida no terceiro caso. Diz apenas que o veículo estava estacionado “em via pública na Capital”, e que o flagrante foi por volta de 2h40min. Também eram dois os PMs que estariam dormindo. Todos soldados do Ronda.
“O policial é para estar alerta, atento, olhando, fazendo abordagem. É papel dele evitar que o crime venha a acontecer. A conduta desses soldados (flagrados dormindo) foi inadequada. Faltou maturidade da parte deles”, avalia o secretário-executivo da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), coronel Joel Brasil.
O comandante do Ronda do Quarteirão, tenente-coronel Werisleik Matias, afirma que atitudes como essas não serão aceitas. “O policial é pago para trabalhar em prol da sociedade. Quem não se adequar vai sair”, diz. Segundo ele, há mais casos fora os que foram publicados no boletim interno do último dia 30. “Tem uns cinco ou seis sendo apurados”, informa.
Ontem, O POVO entrou em contato com o relações públicas da PM, major Marcus Costa, e solicitou o número de processos administrativos que apuram flagrantes como os mostrados nesta matéria. De acordo com o major, não daria tempo fazer o levantamento até o fechamento desta edição.
Ainda conforme o major, as sanções disciplinares variam desde uma advertência até a expulsão da Polícia. Cada procedimento administrativo é conduzido por três oficiais, nomeados pelo Comando da PM.
Na investigação, o trio ouve acusados, testemunhas e analisam as provas colhidas. O prazo para conclusão do procedimento é de 80 dias.
E-MAIS
Além dos seis soldados, um tenente está respondendo a processo administrativo.
Segundo a portaria publicada no boletim do Comando da PM, o tenente ligou para os policiais que estavam dormindo numa das viaturas para alertar que eles haviam sido flagrados pelo sistema de videomonitoramento. Isso impediu que os acusados fossem presos em flagrante.
Durante as investigações, os acusados ficam afastados de suas funções.
Em julho do ano passado, O POVO mostrou que a Corregedoria Geral dos Órgãos de Segurança Pública do Ceará estava investigando 210 denúncias contra policiais do Ronda. Os casos apurados eram de vandalismo, uso da viatura como motel, extorsão, tortura, abuso de poder, entre outros.
O QUE DIZ A LEI
Segundo o Código Disciplinar da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros do Ceará, é transgressão disciplinar grave dormir em serviço de policiamento, vigilância ou segurança de pessoas ou instalações, salvo quando autorizado.
É o próprio boletim do Comando Geral que levanta a possibilidade dos policiais flagrados serem expulsos da corporação. A portaria cita o artigo 23 do Código Disciplinar.
O artigo diz que a demissão será aplicada ao militar que “praticar ato ou atos que revelem incompatibilidade com a função militar estadual, comprovado mediante processo regular.”
O Código Penal Militar também prevê punição para o militar que dorme em serviço. A pena é detenção de três meses a um ano.

escrito por Borges22 , setembro 03, 2010
escrito por cicero , setembro 05, 2010
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