Estiagem, ventos e queimadas aumentam focos de incêndios
Tempo seco, ventos fortes e início da temporada de queimadas para limpeza de plantações. As condições ideais para a proliferação do fogo dão o alerta para o aumento de incêndios florestais no Ceará. Na última segunda-feira, o Ministério do Meio Ambiente decretou situação de emergência ambiental em 14 estados e no Distrito Federal. O Ceará integra a lista dos estados em alerta. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Ceará registrou 290 focos de queimadas em mais de 50 municípios, no período entre 17 de julho e 17 de agosto. No período anterior, de junho a julho, o número havia sido de 67 focos (veja a lista dos municípios com maior quantidade de incêndios no mapa ao lado).
O Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente (Conpam), do Governo do Estado, admite que o segundo semestre é mais crítico para a proliferação de incêndios, pois nesse período os agricultores começam a limpeza dos terrenos por meio do fogo.
Ana Cecy Pontes, articuladora do Programa Estadual de Prevenção, Monitoramento, Controle de Queimadas e Combate aos Incêndios Florestais (Previna), do Conpam, diz que está em fase de elaboração um plano emergencial para este período. “Estamos nos empenhando na ampliação do número de brigadas de combate de incêndios no Interior”, defende. Ana Cecy explica que o aumento do número de brigadas depende de parcerias com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) e prefeituras.
De acordo com ela, outras ações como formações de bombeiros e orientações sobre o uso do fogo para agricultores já vem sendo desenvolvidas. “Nós incentivamos que o agricultor solicite à Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) o uso do fogo controlado para limpeza de terrenos, mas as queimadas continuam como prática cultural”, argumenta.
Focos
O número de focos contabilizado pelo Inpe é contestado pelo Conpam, que se baseia em dados coletados pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) por meio do satélite “Meteosat”.
De acordo com David Ferran, meteorologista da Funceme, o Inpe utiliza mais de um satélite para registrar os focos de incêndio, o que gera contagem extra. “O mesmo satélite pode contar o mesmo foco mais de uma vez. Se o incêndio durar várias horas, o foco também é contado mais de uma vez”, detalha.
Seguindo os dados da Funceme, o Conpam diz que foram registrados 62 focos de incêndio em agosto, no Ceará, e não 290, como registrou o Inpe. O acumulado estadual é, segundo o Conpam, de 248 focos. O total de incêndios em agosto só não supera a quantidade registrada em março (88) e fevereiro (63) deste ano.
O Povo - 09/09/2010

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