A política sob um novo coronelismo
O POVO analisou os quatro maiores partidos do Ceará e chegou à conclusão de que há uma nova forma de controle do poder, que começa pelo domínio interno das agremiações. Também siglas de menor porte agem de acordo com o que querem seus ``donos``.
Quando se fala em políticos, normalmente se fala em líderes. São aquelas pessoas que levam milhares, ou mesmo milhões, de cidadãos às urnas, dispostos a escolhê-los como seus representantes. Mas entre esses líderes, há aqueles que são os verdadeiros donos do poder político, os famosos ``caciques``.
No Ceará, não é difícil identificar quem está à frente das maiores ``tribos`` políticas. Nomes que despontaram mais recentemente ou que já estão no poder há décadas, os caciques concentram em suas mãos a palavra final sobre todas as decisões importantes tomadas por seus partidos.
Nos quatro maiores partidos no Estado - PSB, PT, PSDB e PMDB -, apesar da profusão de políticos com mandatos eletivos ou cumprindo funções de destaque nos primeiros escalões do Governo e da Prefeitura de Fortaleza, pode-se contar nos dedos aqueles que terão peso para definir a montagem do quebra-cabeça do cenário eleitoral de 2010.
Consolidando ainda mais sua posição central na política cearense, o governador Cid Gomes assumiu recentemente a presidência estadual do PSB, jogando para segundo plano a chamada ``ala histórica`` do partido, liderada por Sérgio Novais. Tido como articulador da indicação de Tin Gomes - seu primo e filiado não ao PSB, mas ao PHS - à vice na chapa que reelegeu Luizianne Lins (PT) prefeita de Fortaleza, será Cid quem vai decidir os rumos do PSB nas eleições - entre opções que vão desde a renovação da aliança com o PT a um, antes quase impensável, acordo com o PSDB.
Os tucanos, historicamente em lado oposto ao do PSB no Estado, acabaram aderindo ao governo Cid, após o boicote velado de seu líder maior, senador Tasso Jereissati, à candidatura à reeleição do então governador Lúcio Alcântara (à época no PSDB, hoje no PR). Tasso, sabidamente, tem grande proximidade do ``grupo dos Ferreira Gomes``, liderado pelo irmão de Cid, Ciro Gomes.
Mesmo cenário
No PMDB, as articulações passam necessariamente pelas mãos do deputado federal Eunício Oliveira, que há mais de dez anos é presidente seu estadual. Ex-ministro e bem cotado para disputar uma vaga no Senado, Eunício firmou fortes vínculos com o poder nacional da sigla - para o que contou com o empurrão de seu sogro, o ex-presidente da Câmara dos Deputados e ex-presidente do PMDB Antonio Paes de Andrade.
Mesmo no PT, partido tido como mais aberto à coexistência de líderes fortes, Luizianne Lins emplacou sozinha a indicação de Francisco Pinheiro a vice na chapa que elegeu Cid. A prefeita é outra que agora chega ao comando partidário e que deve concentrar poder para determinar os rumos petistas em 2010.
O POVO entrou em contato com as assessorias de comunicação de Tasso Jeireissati, Luizianne Lins, Cid Gomes e Sérgio Novais, mas até o fechamento da edição não houve retorno.
PSDB - Tasso Jereissati
Apesar de não exercer a presidência do PSDB no Ceará, é, desde a fundação do partido, seu ``líder maior``, por quem passam as decisões.
PMDB - Eunício Oliveira
O deputado federal já está na presidência do PMDB-CE desde 1999. É bem relacionado com o grupo do atual presidente nacional do partido, Michel Temer.
PSB - Cid Gomes
Governador desde 2007, tirou do ar a chamada ala histórica do PSB ao se eleger presidente estadual do partido. O movimento de Cid abriu precedente, sendo pouco depois seguido por Luizianne Lins (PT).
PT - Luizianne Lins
A prefeita de Fortaleza foi eleita presidente do partido pouco após Cid chegar conquistar o PSB. O movimento seria uma reação no sentido de dar mais força ao PT para as negociações das eleições.
Gabriel Bomfim
gabrielbomfim@opovo.com.br

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