Policiais procuram apoio dos deputados
Manifestantes abordam os deputados na entrada para o plenário da Assembleia, antes do início da sessão ordinária de ontem. Depois, eles lotaram as galerias do Legislativo
JOSÉ LEOMAR
Mulheres de policiais e alguns militares foram à Assembleia, ontem, reivindicar vantagens e menor carga de trabalho
Mais investimentos no policial. Este foi o pedido feito ontem, no plenário da Assembleia Legislativa, por vários deputados, embalados pela manifestação de policiais militares e mulheres de policiais que ocuparam as galerias da Casa e cobraram do Governo melhores condições de trabalho. Eles foram recebidos pelo líder do Governo na Casa, deputado Nelson Martins (PT).
Os deputados admitiram os altos investimentos que o Executivo vem fazendo na segurança pública, mas por outro lado, acreditam que o Estado se preocupou apenas com os equipamentos, deixando de lado os investimentos no policial. "Embora não deixemos de reconhecer os investimentos na parte material, deixa a desejar o homem, o policial, o ser humano que tem que desempenhar seu trabalho", enfatizou o deputado Cirilo Pimenta (PSDB).
Segundo Cirilo, atualmente o policial militar convive com a falta de estrutura, de treinamento e com um hospital sucateado que já foi tema de pronunciamento na Casa. Além disso, pontua, há a sobrecarga de trabalho já que a jornada de um policial militar chega a 48 horas.
De acordo com o deputado Ely Aguiar (PSDC), o Governo comete arbitrariedade quando permite uma jornada de trabalho de 48 horas, enquanto que a Constituição Federal diz que a carga horária máxima para um trabalhador é de 43 horas. Porém pontua que este não é o único problema enfrentado pelos policiais militares, há ainda o baixo salário e uma precária assistência hospitalar.
"É preciso olhar o lado humano do policial. Esperamos que o governador veja a questão dos policiais que trabalham na pior área, pois podem morrer a toda hora e instante. A Polícia do Ceará merece respeito", disse.
Cansados
O deputado Ferreira Aragão (PDT) afirma que os policias já estão cansados de serem baleados e levados para uma fila de espera no Instituto Doutor José Frota (IJF), enquanto o Hospital da Polícia Militar não tem condições de recebê-los. "A segurança é feita primeiro por homens", alerta.
Para o deputado Heitor Férrer (PDT), temos uma polícia militar "desgastada, desesperançada, doente, que não tem onde cair morta". O pedetista entende que a carga horária desses agentes da segurança é desumana e que não houve investimentos para o policial.
O deputado Carlomano Marques (PMDB) acredita haver alguma coisa errada na segurança que precisa ser decifrada, pois alerta que apesar de atualmente estarem sendo feitos os maiores investimentos em 20 anos, não resultou na resposta que a sociedade precisa, o que acaba refletindo nas reivindicações dos policiais militares.
"Nunca vi tantos policiais desacatados, humilhados, viaturas policiais tratadas com pichação, verdadeira humilhação. Esperávamos o contrário, alguma coisa está errada", enfatiza.
O líder do Governo, Nelson Martins, informou que recebeu uma comissão dos policias e informou que vai levar todas as reivindicações ao governador. A primeira delas diz respeito a associar os policiais ao Instituto de Saúde do Ceará. Segundo o petista, há uma lei estadual que não permite isso, porém acha que é plausível haver uma alteração da lei para que os policias sejam atendidos pelo Instituto de Saúde do Estado.
Em relação ao salário, os policiais querem que a média salarial seja calculada a partir da média do Nordeste. Nelson diz que tal parâmetro já é adotado para a Polícia Civil e defensores públicos, o que acredita não haver dificuldades para que a reivindicação seja atendida. Já em relação a jornada de trabalho, o parlamentar esclareceu que isso depende do efetivo policial.

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